domingo, 31 de julho de 2011





Era impossível compreender. Como ele tinha ido parar ali? Ele, que outrora fora campeão municipal de skate. Ele, que podia escolher qualquer menina que quisesse para namorar.. e que justamente por causa disso desprezava todas após conseguir o que queria.. Os amigos foi perdendo um a um. Se achar era mais importante, afinal, ele era o máximo e quem não compreendesse isso tinha mais é que se acostumar a viver sem sua companhia. Claro, ele não podia mais perder tempo com.. gente comum. Ele estava no topo. Nada nem niguém poderia lhe fazer mal. Mas talvez uma simples salto mal feito na final do campeonato poderia. Fez com que ele não ganhasse nem o terceiro lugar. Perdera a taça. Perdera o patrocínio. Quem ele era agora? Um Zé Ninguém, como era antes de um olheiro o ver andar de skate há 2 anos atrás. Acontece que antes ele era um Zé Ninguém cheio de amigos. Amigos que o faziam se sentir importante. Agora ele é um Zé ninguém sem ninguém. Do que tinha adiantado pensar que era imbatível? Agora só lhe restava ficar ali. Sem ação. Dividindo seu momento terrível apenas com um skate e muitas lágrimas. Lágrimas essas que agora não poderiam mais ser limpas por amigos. Porque os amigos não existiam mais. Não para ele, que no auge de seu sucesso no skate, esqueceu-se de que o maior sucesso que temos na vida é ter pessoas com quem se pode contar. Ele tem apenas 16 anos. Errou e pode ter a chance de consertar. Claro, jamais poderá apagar. Mas poderá ensinar aos filhos. Que a melhor parte da vida não está em ser o máximo, e sim em dar o máximo de si aos outros. E porque não, receber em troca. Vai ensinar que os maiores prêmios que podemos ganhar não são taças de ouro. São sorrisos. E principalmente: que ninguém é feliz sozinho, e que as pessoas são nossos maiores tesouros. Mesmo que não nos pertençam.

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